Política de privacidade
Última atualização: 24 de setembro de 2026.
Esta política descreve como o SimulaPacientes, da Escola de Pacientes (Universidade de Brasília), trata informações durante o uso do site e dos aplicativos. O projeto é coordenado por Estêvão Cubas Rolim, com contato em escoladepacientes@gmail.com.
1. Os marcos que orientam esta política
O SimulaPacientes põe estudantes de medicina para conversar com um paciente simulado por inteligência artificial. Por isso esta política se apoia em cinco referências, cada uma cobrindo um lado do problema:
- Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), art. 6º — a lei brasileira que rege o tratamento de dados pessoais, e — com a Resolução CNS nº 510/2016, abaixo — uma das duas normas que obrigam o projeto. Os dez princípios do artigo estão na seção 10.
- Os sete princípios fundamentais do Privacy by Design — a ideia de que a privacidade se constrói no desenho do sistema, e não se acrescenta depois. Ver a seção 11.
- A orientação da Organização Mundial da Saúde sobre modelos multimodais de grande porte — ética e governança de IA generativa em saúde, incluindo a educação médica. Ver a seção 9.
- O Regulamento Europeu de Inteligência Artificial (Regulamento (UE) 2024/1689) — o SimulaPacientes opera no Brasil e não está sujeito a ele, mas adota como referência as exigências de transparência e de supervisão humana. Ver a seção 9.
- A Resolução CNS nº 510/2016 — a norma de ética em pesquisa com seres humanos nas ciências humanas e sociais, que inclui a pesquisa em educação. Ela separa o que é atividade de ensino do que é pesquisa, e define quando a pesquisa não precisa passar pelo sistema CEP/CONEP. Ver a seção 4.
2. Finalidade do aplicativo
O SimulaPacientes oferece consultas clínicas simuladas para ensino. Ele não presta atendimento médico, não substitui avaliação profissional e não deve ser usado para diagnóstico ou tratamento de pessoas reais. Os pacientes são fictícios.
3. Informações processadas durante a consulta
A identificação não é obrigatória: dá para usar o aplicativo inteiro sem conta, e ele não solicita nome, matrícula ou documento. As perguntas digitadas e as respostas da simulação são processadas temporariamente pelos servidores do SimulaPacientes e pelo provedor de inteligência artificial selecionado — no uso pela turma, Google Gemini ou OpenAI (ChatGPT) — para gerar a fala do paciente digital e o feedback educacional.
A transcrição integral da conversa não é gravada no banco de pesquisa do SimulaPacientes, e as conversas não são usadas pelo projeto para treinar modelos de IA. Mesmo assim, não insira nomes, documentos, prontuários ou outras informações de pacientes reais.
Para conter abuso, o endereço de rede de cada requisição é usado momentaneamente para limitar o número de chamadas às rotas que usam IA. Essa contagem é feita em janelas de um minuto, vive apenas na memória do servidor e não é gravada em banco.
4. Métricas: o que é ensino e o que é pesquisa
Quando a coleta institucional estiver habilitada, poderão ser registrados: identificador aleatório da sessão, caso e área clínica, turma, momento antes ou depois da aula, provedor e modelo de IA, quantidade de turnos, duração, percentuais do feedback e resultado de cada item da rubrica. Esses registros não contêm nome, e-mail, matrícula, endereço IP nem a transcrição da consulta. O e-mail aparece apenas em quem opta por criar conta, e está descrito na seção 5.
O código de acesso identifica a unidade pedagógica — uma turma, um grupo ou uma dupla —, e não a pessoa. Em unidades pequenas, porém, o educador autorizado consegue saber de quem é o resultado: esses dados são pseudonimizados, e não anônimos. Por isso o painel que os exibe é restrito à equipe da Escola, verificado no servidor, e nada dele é publicado.
O que a Escola publica sobre as simulações é sempre agregado e protegido: recortes com menos de dez simulações não são divulgados, nem o número de simulações que os compõe, e quando esconder um recorte permitiria deduzi-lo por subtração, um segundo é escondido junto. Nenhum código de turma, grupo ou dupla atravessa essa fronteira.
Esses registros servem a duas finalidades, e elas são tratadas de formas diferentes, como pede a Resolução CNS nº 510/2016:
- Ensino. O acompanhamento pedagógico por turma, grupo ou dupla, no painel restrito da equipe, é atividade de ensino. É nele que os dados pseudonimizados descritos acima são usados, e só para isso. O acesso a ele é separado do acesso da pesquisa: quem entra por um não vê o outro.
- Pesquisa. Estudos sobre o SimulaPacientes usam apenas uma base agregada, sem possibilidade de identificação individual — a hipótese em que a Resolução CNS nº 510/2016 dispensa a apreciação pelo sistema CEP/CONEP (art. 1º, parágrafo único, inciso V). Essa base não tem linha por consulta, código ou nome de turma, instituição, identificador de sessão ou de conta, dia nem hora: só totais e percentuais por competência, caso, momento (antes ou depois da aula), IA e categoria profissional, por mês. Recortes com menos de dez consultas são suprimidos, com supressão complementar, e consultas feitas com código individual, ou com dupla ou grupo que não pertença a uma turma, ficam de fora.
Pela LGPD, dado anonimizado não é dado pessoal (art. 12), e a pesquisa por órgão de pesquisa deve anonimizar sempre que possível (arts. 7º, IV, e 11, II, c). A base de pesquisa é esse dado anonimizado; os registros do painel são dado pseudonimizado (no sentido do art. 13, §4º) e, como só o anonimizado deixa de ser dado pessoal, são tratados como dado pessoal. Os resultados da pesquisa são publicados apenas de forma agregada.
5. A conta do estudante (opcional)
O SimulaPacientes permite entrar com uma conta Google, e isso é opcional: sem conta o site funciona inteiro — a consulta, o feedback e o envio por e-mail são os mesmos. A conta serve a uma coisa: ver o histórico das próprias consultas e a evolução ao longo delas.
Ao entrar, ficam guardados o identificador da conta e o endereço de e-mail. Não pedimos nem guardamos nome, foto ou qualquer outro dado do perfil do Google — o pedido de acesso é limitado ao identificador e ao e-mail.
Ligadas a essa conta ficam as consultas conduzidas enquanto você estiver identificado: caso, data, percentuais do feedback, o resultado de cada item da rubrica e o texto do feedback narrativo. Consultas feitas sem estar identificado não são vinculadas depois.
O que não muda: os registros descritos na seção 4 continuam existindo separadamente, sem ligação com a sua conta. Entrar altera o que você vê, e não o que é registrado para fins educacionais e de pesquisa.
Para levar os seus dados, use o botão “Baixar meus dados” na sua área, que gera um arquivo com a conta e todas as consultas do seu histórico.
Para apagar a conta, use a página apagar sua conta — ela pede que você confirme sua identidade e apaga na hora, sem intermediários. Se preferir, escreva para escoladepacientes@gmail.com a partir do e-mail da conta. A exclusão remove o perfil, o histórico e o feedback narrativo associados a você. Os registros da seção 4 permanecem, porque nunca estiveram ligados à sua identidade.
6. Envio do feedback por e-mail
O envio é opcional. Quando solicitado, o endereço informado e o feedback completo — que pode conter pequenos trechos usados como evidência — são transmitidos ao serviço Resend para entrega. O endereço não é salvo no banco de pesquisa nem no armazenamento do navegador. O provedor de e-mail mantém os registros técnicos necessários à entrega.
Conforme a configuração institucional informada na própria tela de envio, uma cópia pode ser encaminhada à coordenação da Escola de Pacientes para acompanhamento pedagógico e operacional.
7. Relatos sobre respostas da IA
Cada resposta do paciente digital oferece a opção Relatar resposta inadequada. Quando o usuário envia um relato, somente a resposta marcada, o motivo, o comentário opcional, o caso e o provedor são encaminhados à Escola de Pacientes. A pergunta do estudante e o restante da conversa não acompanham o relato.
8. Voz, armazenamento local e cookies
Se o usuário ativar o ditado, o reconhecimento de voz é realizado pelo navegador ou pelo sistema operacional e pode enviar o áudio ao respectivo fornecedor. O SimulaPacientes recebe apenas o texto reconhecido depois que o usuário decide enviá-lo.
O navegador pode guardar preferências de tema, provedor, voz e código de turma. No modo de chave própria, a chave de API só é guardada no dispositivo quando o usuário escolhe a opção de lembrá-la. Ela é transmitida ao servidor apenas para executar a solicitação e não é registrada no banco do projeto. A área administrativa e a conta usam cookies de sessão seguros e restritos. Não há cookies de publicidade nem de rastreamento entre sites.
9. Inteligência artificial: transparência e limites
Esta seção segue a orientação da OMS sobre modelos multimodais de grande porte e, como referência, as exigências de transparência e supervisão humana do Regulamento Europeu de IA.
- Você sabe que está falando com uma IA. O paciente é simulado por um modelo de linguagem, e a tela mostra qual — pelo nome real, porque comparar modelos é parte do objetivo do projeto.
- A IA pode errar. Modelos de linguagem produzem, às vezes, informação incorreta ou inventada, com a mesma segurança da informação correta. O paciente digital é material de treino, e não fonte de conduta clínica.
- Quem define o que é avaliado são pessoas. A rubrica de cada caso é escrita a partir de protocolos de instituições brasileiras, e um caso só é publicado depois que a coordenação clínica o lê e o valida. A IA aplica a rubrica; ela não a escreve. Trocar de IA muda quem avalia, e não o que é avaliado.
- O feedback é formativo. Ele é apoio à reflexão, mostra ao lado de cada item o trecho da conversa que o sustenta, e não é nota final. Nenhuma decisão sobre o estudante é tomada de forma automatizada pelo SimulaPacientes. Se uma instituição usar os resultados em avaliação, recomendamos revisão humana — e a LGPD (art. 20) garante o direito de pedir revisão de decisões tomadas unicamente por tratamento automatizado.
- Contra a confiança automática. A OMS alerta para o viés de automação: a tendência de aceitar o que a máquina diz sem conferir. Confronte o feedback com a evidência mostrada, com a literatura e com o seu preceptor.
- Há um canal para o que der errado. Resposta inadequada, ofensiva ou clinicamente perigosa pode ser relatada na própria consulta (seção 7), e os relatos são lidos pela equipe.
- O que o sistema não faz. Não reconhece emoções, não usa dados biométricos, não monta perfil do estudante para terceiros e não usa as conversas para treinar modelos.
10. Os princípios da LGPD, um a um
O art. 6º da LGPD pede que todo tratamento de dados observe a boa-fé e dez princípios. Eis como cada um se cumpre aqui:
- Finalidade: os dados servem ao ensino por simulação, à melhoria do recurso e à pesquisa educacional agregada. Nenhum é vendido, usado para publicidade ou para montar perfil comercial.
- Adequação: o que se registra — caso, turnos, duração, resultado de cada item da rubrica — é exatamente o que se precisa para saber onde a turma tem dificuldade.
- Necessidade: não existe no banco de métricas coluna para nome, e-mail, matrícula, endereço IP ou transcrição. O dado que não é pedido não pode vazar.
- Livre acesso: quem tem conta vê o próprio histórico e baixa tudo o que está ligado a ela num arquivo, sem precisar pedir.
- Qualidade dos dados: a nota é calculada e gravada no servidor, e nunca aceita do navegador — o registro reflete a consulta que aconteceu.
- Transparência: esta página, com os fornecedores nomeados, e a IA de cada consulta exibida pelo nome real (Gemini, ChatGPT, e assim por diante).
- Segurança: chaves de acesso ficam só no servidor, o banco nega leitura por chave pública, a área administrativa usa cookie de sessão seguro e restrito, e as rotas que chamam IA têm limite de uso.
- Prevenção: o risco é tratado antes de existir: o sistema foi desenhado para não receber dados de pacientes reais, e a tela pede que eles não sejam digitados.
- Não discriminação: todos os estudantes são avaliados pela mesma rubrica, qualquer que seja a IA escolhida, e os dados não são usados para classificar ou excluir pessoas.
- Responsabilização e prestação de contas: as regras de proteção são verificadas automaticamente a cada mudança no código, e o que se publica sobre as simulações passa pelas travas de agregação descritas na seção 4.
11. Os sete princípios do Privacy by Design
- Proativo, e não reativo; preventivo, e não corretivo: a anonimização foi decidida antes da primeira linha gravada: ela é ausência de campo no banco, e não uma promessa de não olhar.
- Privacidade como configuração padrão: sem fazer nada, você usa o site inteiro sem conta e sem se identificar. Conta, envio por e-mail, ditado por voz e lembrar a chave de API são opções que só existem se você as ligar.
- Privacidade incorporada ao projeto: a transcrição da conversa não é gravada, a rubrica fica no servidor e o registro de pesquisa não tem ligação com a conta. Não são configurações que alguém possa esquecer de ligar: é como o sistema é montado.
- Funcionalidade total — soma positiva, e não soma zero: proteger não custou função. Sem conta, a consulta, o feedback e o envio por e-mail são os mesmos; a conta acrescenta só o histórico.
- Segurança de ponta a ponta, em todo o ciclo de vida: da conexão cifrada ao apagamento: a conta pode ser excluída pela própria pessoa, na hora, e a exclusão leva o perfil, o histórico e o feedback narrativo.
- Visibilidade e transparência: o que é tratado, por quem e onde está escrito aqui, com os fornecedores nomeados. O que se publica sobre as simulações é sempre agregado.
- Respeito pela privacidade do usuário: você decide o que acontece com o que é seu: baixar os dados, apagar a conta, ou simplesmente não criá-la.
12. Infraestrutura, fornecedores e transferência internacional
O serviço utiliza Vercel para hospedagem, Supabase para o banco de métricas e das contas, Google para o login, Google e OpenAI para as respostas de IA no uso pela turma e Resend para e-mail. No modo de chave própria, a conversa vai ao provedor que o próprio usuário escolheu e configurou, sob os termos da conta dele. Atenção: alguns provedores gratuitos, como os modelos grátis do OpenRouter, exigem que a conta autorize o uso dos dados para treinamento. O SimulaPacientes não treina modelos, mas não controla o que o provedor escolhido pelo usuário faz sob os próprios termos.
Esses fornecedores podem processar dados técnicos de rede e segurança conforme seus próprios termos, inclusive fora do Brasil. Por isso há transferência internacional de dados, e ela se limita ao necessário para o serviço funcionar.
13. Segurança e conservação
O projeto limita os dados coletados, não grava a conversa integral e protege credenciais no servidor. Registros anonimizados são conservados pelo período necessário às finalidades educacionais, operacionais e de pesquisa aplicáveis. Os dados da conta são conservados enquanto ela existir. Relatos e registros de entrega de e-mail são mantidos somente pelo tempo necessário à apuração e ao funcionamento do serviço.
14. Seus direitos e como exercê-los
A LGPD (art. 18) garante a quem tem dados tratados, entre outros, os direitos de confirmar que o tratamento existe, acessar os dados, corrigi-los, pedir a eliminação, levá-los consigo (portabilidade), saber com quem foram compartilhados e se opor ao tratamento.
Para dúvidas, correções, oposição ao tratamento ou solicitação relacionada a dados pessoais, escreva para escoladepacientes@gmail.com. Para quem tem conta, é possível localizar, exportar e apagar os dados ligados a ela sem precisar escrever — ver a seção 5. Já os registros da seção 4 não identificam o estudante, e por isso pode não ser tecnicamente possível localizar um deles em específico.
Se a resposta não resolver, você também pode recorrer à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
15. Público e alterações
O aplicativo é destinado principalmente a estudantes e profissionais de saúde e não é direcionado a crianças. Esta política poderá ser atualizada quando o funcionamento ou os fornecedores mudarem; a data da versão vigente ficará indicada no início da página.
16. Referências
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), art. 6º.
- Cavoukian A. Privacy by Design: The 7 Foundational Principles. Information and Privacy Commissioner of Ontario; 2009.
- World Health Organization. Ethics and governance of artificial intelligence for health: guidance on large multi-modal models. Geneva: WHO; 2024.
- Brasil. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais.
- União Europeia. Regulamento (UE) 2024/1689 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de junho de 2024 (Regulamento da Inteligência Artificial).